Wilton Carlos de Santana Mestre em Pedagogia do Movimento pela UNICAMP (SP)
Doutorando em Educação Física na Unicamp (SP)
O Brasil ganhou recentemente a 2ª Copa América, versão FIFA. Não perdeu nenhum jogo. Todos os detalhes (clique aqui). Alguns podem achar que o Brasil não fez mais do que a sua obrigação. Esse tipo de mentalidade é enganoso. Em 2003, em Assunção (PAR), um ano antes do mundial da China, por exemplo, a Seleção Brasileira perdeu para a Argentina. Eu não assisti e não sei sob quais circunstâncias perdemos naquela oportunidade, mas é bom valorizar o que se apresentou no Uruguai. O título foi recuperado.
O time titular do PC é muito consistente: Franklin, Schumacher, Marquinho, Gabriel e Lenísio. As trocas também são promissoras (Vinicius, Falcão e cia.). Quando tem a bola, esta e os jogadores “andam” de modo entrosado, o que garante o volume de ataque, a diversidade de movimentações e, por extensão, dificulta a marcação do adversário. Sem retenção de bola exagerada, associada à inteligência e à habilidade dos nossos jogadores, regra geral, se viu a imposição de vantagens territoriais e psicológicas logo no início dos confrontos. Como prêmio de tal postura, alguns gols saíram nos minutos iniciais de jogos importantes, o que aumentou ainda mais as vantagens às quais me referi. Sem bola, o time mostrou-se ativo, o que é meio caminho andado para se marcar bem. Quero dizer que os jogadores, como padrão, independentemente da linha, pressionaram a bola.
O que de mais interessante eu avaliei nessa formação é que ela, primeiro, procura competir, o que exige disciplina tática e, como decorrência, proporciona espetáculo. O caos para qualquer time é inverter essa lógica. Não dará certo. Espetacular é jogar para vencer desde o início, o que implica em jogar de modo inteligente e concentrado, com dinamismo, à procura do gol, com consistência defensiva, independentemente do adversário. É isso o que prende o olhar do público.
“O que de mais interessante eu avaliei nessa formação é que ela, primeiro, procura competir e, como decorrência, proporciona espetáculo”.
O PC mudará essa formação até o Mundial? Isso não importa. Importa é manter a identidade. Assim, independentemente de quem entrar, ver-se-á um time organizado taticamente e a lógica competição → espetáculo. Alguém poderá discordar disso e afirmar que importa apenas competir. Mas, na minha concepção, toda equipe de futsal consistente como essa dará espetáculo.
Por último, eu arriscaria dizer que embora a Espanha tenha a hegemonia, por ter vencido em 2000 e 2004, o Brasil, se permanecer no rumo da disciplina tática, é o favorito para levar a Copa que se inicia em outubro próximo. Outras boas seleções são Espanha, Itália, Portugal e Rússia.