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As virtudes do grande treinador

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Wilton Carlos de Santana

Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)

Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)

Temáticas relacionadas com o treinador sempre me interessam, pois entendo que este tem uma influência decisiva na formação e aprimoramento dos jogadores. 

Nessa direção caminha o capítulo nove do notável livro de Daniel Coyle (“O código do talento”, Editora Agir), no qual o autor se dedica a listar as quatro maiores virtudes dos grandes treinadores. Essas qualidades são decorrência de observações que fez com uma série de treinadores, não apenas esportivos. Em sua opinião, “A habilidade de ensinar excepcionalmente bem é um talento como qualquer outro: parece algo mágico, quando na verdade é uma combinação de habilidades”. Esse conjunto de habilidades ele denominou de as “quatro virtudes”. Vamos a elas.

A primeira virtude consiste no software do treinador, ou seja, naquilo que ele armazenou ao longo do tempo, sua memória, conhecimento, experiência. Para Coyle, isso, na prática, constitui uma mistura de “conhecimento técnico, estratégia, experiência e sensibilidade aguçada (...) sempre pronta a identificar e compreender o ponto em que os alunos (ou atletas) estão e aonde precisam chegar”. 

A segunda virtude é a perspicácia. O treinador não apenas vê, mas enxerga, decifra, reconhece, identifica, dá um sentido para o que se passa! Para Coyle, os grandes treinadores “ficam observando demoradamente, sem piscar sequer”; transformam os olhos em câmeras a fim de captar informações.

A terceira virtude, que ele denomina de “o reflexo GPS”, se trata da capacidade de o treinador fornecer dicas que conduzem o atleta para o lugar certo. Interessante que essa comunicação se dá por imperativos, como por exemplo: “faça assim”, “use”, “vire” etc. Ou seja, o treinador tem algo objetivo a compartilhar. Não deixa dúvidas quando se comunica, pois quer levar seu atleta para o lugar que interessa. Nesse sentido, se necessário, o grande treinador muda constantemente o tipo de informação que emite. No entendimento de Coyle, “Quando A não dava resultado, tentavam B e C; quando B e C falhavam, ainda tinham todo o resto do alfabeto à disposição”.

A quarta e última virtude que ele identificou foi a “honestidade teatral”. Mas o que seria isso? Trata-se da virtude de o treinador encontrar o tipo de comunicação mais adequada para cada atleta, para cada situação. Ora encorajar, ora falar mais alto, ora mais baixo, ora perguntar, ora determinar, ora ser calmo, ora inquieto etc. Para Coyle, “o teatro e as máscaras não passavam de instrumentos utilizados por eles para transmitir aos alunos a verdade sobre seu desempenho”.

Portanto, grandes treinadores têm vasto conhecimento, são perspicazes, sabem o que querem e como se comunicar, o que, convenhamos, não é fácil.

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1 comentário(s) cadastrado(s)

Otimo texto professor Wilton Carlos de Santana concordo com estas 4 virtudes para um treneidor ter sucesso na profissão precisa ter conhecimento e saber por em pratica entendendo que cada atleta age diferente e que e preciso ter um otimo jogo de cintura para enfretar problemas que aparecem no caminho.

Edvan Eduardo

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