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| Wilton Santana |
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Brasil x Espanha: os Números do Jogo
Ouço e leio muitas versões para a derrota do Brasil no último mundial de futsal: responsabilidade de um determinado dirigente que convocou o técnico, preterindo outros que, supõe-se, teriam mais capacidade e maior experiência; a ausência de um jogo mais coletivo; a não convocação deste ou daquele jogador; a má utilização de um ou de outro convocado... Confesso que pouco me interessa quaisquer umas destas versões. Não tenho como objetivo defendê-las, argumentá-las e, tampouco, contrariá-las. Cada um que pense, fale e escreva o que quiser. A meu ver, existe uma relação estreita entre a interpretação que se tem de uma derrota e o interesse do intérprete.
De minha parte, quero apresentar alguns números do jogo. Não que eu seja dado a quantificações. Mas, nesse caso, parece-me oportuno faze-lo. Sugiro a análise da performance técnica das Seleções. Por outra: o que jogaram Brasil e Espanha? Quem foi melhor nisso ou naquilo? O que se pode abstrair do jogo?
Para coletar esses números, fiz o scout (no inglês, explorador; espião) do jogo. Monitorei o confronto. Simples: sentado em frente à telinha, controle do vídeo à mão, vendo os lances, registrando, parando e repetindo quantas vezes foi o necessário. O único inconveniente é a repetição de determinados lances que a televisão faz (replay) enquanto o jogo segue. Aí, não há jeito: perdem-se algumas informações. Entretanto, perde-se muito pouco. Nada que possa alterar a essência da investigação.
As ações técnicas monitoradas foram: passe, finalizações, bolas perdidas, desarmes, defesas e dribles. Penso que essas ações, de certa forma, traduzem a essência do jogo de futsal: sustentação do ataque e contra-ataque, agressividade ofensiva, manutenção da posse de bola, agressividade defensiva, concentração e imprevisibilidade.
Explico:
Passe - sustenta o ataque (e às vezes, o contra-ataque) à medida que mantém a posse da bola, possibilitando selecionar posicionamentos e movimentações adequadas. Penso que pouco (ou quase nada) restará à uma equipe fazer se não possuir um passe de qualidade;
Finalizações - é o caminho para se chegar à vantagem numérica e vencer o jogo;
Bolas perdidas - além de inibir o jogo de ataque de uma equipe, inicia o jogo de ataque do adversário, quando não o contra-ataque, o que é ainda pior;
Desarmes - quando não destrói, atrasa a construção do jogo de ataque do adversário. Imprescindível. Ganha-se jogo desarmando;
Defesas - acontecem quando o jogador forma, com o seu próprio corpo, uma barreira de proteção contra a finalização adversária. Essa ação impede que a bola vá contra o seu gol. Defende quem está concentrado;
Drible - quando é ofensivo e seguido de êxito, propicia uma superioridade numérica que pode determinar ações ofensivas eficazes.
Isto posto, vamos aos números:
| Ações
Técnicas |
Brasil
|
Espanha
|
| Total de Passes |
380
|
347
|
| Passes Certos |
327
|
308
|
| Passes Errados |
53
|
39
|
| Aproveitamento no Passe |
86%
|
88.7%
|
| Total de Finalizações |
46
|
17
|
| Finalizações
no Gol |
28
|
11
|
| Finalizações
fora do Gol |
18
|
6
|
| Aproveitamento nas Finalizações |
60.8%
|
64.7%
|
| Desarmes |
33
|
25
|
| Defesas |
2
|
20
|
| Bolas Perdidas |
23
|
31
|
| Dribles |
21
|
12
|
Leia também: Brasil x Espanha - Interpretação do Jogo |
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