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| Wilton Santana |
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Brasil x Espanha: Passado e Presente
Nesse último texto sobre Brasil x Espanha, quero contribuir com uma reflexão sobre o passado e o presente deste jogo que determinou a quebra da série de duas conquistas brasileiras consecutivas nos mundiais de futsal. Decidi dividir a reflexão em dois momentos:
a) Algumas possíveis conclusões (passado);
b) Algumas reflexões sobre a repercussão desta derrota (presente).
Algumas possibilidades de conclusão sobre o jogo (passado):
a) A Espanha apostou num jogo defensivo: equilibrou com o Brasil em desarmes, foi superior em defesas;
b) A linha de marcação da Espanha sugeriu o interesse num jogo que pudesse resultar em contra-ataques. Ainda que não os obtivesse, manteve a proposta. Detalhe: poderia marcar um gol dessa forma quando vencia por 1x0 e um dos seus jogadores optou em chutar a gol da ala direita, quando deveria ter passado a outro melhor colocado, que entrava sozinho na área. Acabou conseguindo um outro bom contra-ataque no final do jogo, quando o goleiro, após uma defesa, lançou uma bola no espaço, que resultou na falta e, na seqüência, no quarto gol;
c) Com posse de bola, jogou num 4.0 ou 4 em linha, principalmente após conseguir quebrar a linha de marcação brasileira. Dentro do sistema foi eficiente: movimentações constantes sem bola, tabelas, bolas de espaço, substituições à altura, boa qualidade de passe. Com isso, manteve a posse de bola, tanto que obteve maior aproveitamento no fundamento passe;
d) Em duas únicas oportunidades de tiro livre sem barreira, selou a vitória. Corrobora com o seu aproveitamento no número de finalizações: reduzido, mas eficaz;
e) O Brasil, sem posse de bola, alternou momentos de agressividade com outros de passividade defensiva. Nessa direção, recuperou-se no 2º período: apertou mais, desarmou mais. Em geral, não foi muito exigido defensivamente (observe o número de defesas), apesar de desarmar mais do que o adversário;
f) Com posse de bola, foi absolutamente mais agressivo do que a Espanha, mas não traduziu em gols. Pode ser por não selecionar o ataque, não finalizar com qualidade e/ou apostar pouco num jogo coletivo. A crença de que o talento deste ou daquele poderia decidir funcionou no 2º e 3º gols. Mas, em linhas gerais, o que se viu foram muitas finalizações e poucos gols;
g) Para quem precisava de qualidade no ataque, perdeu muitas bolas;
h) Driblou mais do que a Espanha. Não que isso tenha resultado em situações de ataque eficazes. Em geral, após um drible, aconteceu um chute (às vezes, desequilibrado) de meia distância;
i) Ainda assim, teve a vitória e o empate (que levaria à prorrogação) nas mãos. No 3x2, cedeu ao adversário o tiro livre sem barreira resultante de uma falta de ataque (!). No 3x3, à procura do quarto gol, cedeu um contra-ataque e, pior, fez uma falta na ala (!). Por outra: não soube administrar o lucro, tampouco a igualdade.
Uma reflexão sobre a repercussão deste jogo (presente):
O Brasil é uma referência de futsal bem jogado técnica e taticamente. Isso não vai deixar de acontecer. Enquanto os outros países (Espanha, Rússia, Ucrânia, Holanda) jogam bem há poucos anos, nós sempre o fizemos. A exemplo do futebol, temos os melhores jogadores do mundo. Penso que não haverá problemas quanto à reposição de jogadores de qualidade.
De outro lado, não somos os únicos interessados em grandes conquistas. Não estamos sós. Junto à velocidade de informações deste mundo globalizado, vêm a espionagem e a alta competitividade. Nessa direção, cito o que o técnico espanhol, Javier Lozano (futsalbrasil.com.br), disse em recente entrevista:
"Fortalecimos la autoestima de los jugadores y estudiamos muy bien a Brasil, pero sobre todo nos convencimos que la inteligencia esta para saber utilizarla... Es una cuestión de trabajo y confianza".
Observe: auto-estima, estudo, inteligência, trabalho e confiança. São palavras poderosas. Palavras de quem perdeu uma final de mundial em casa (em 1996), o que é ainda pior, e soube, inteligentemente, rever metas.
Façamos o mesmo e ainda melhor. |
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