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| Wilton Santana |
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"Tudo" Sobre Educação Física
"Especialismo é saber-se cada vez mais de cada vez menos até saber-se tudo de nada; do mesmo modo que generalismo é saber-se cada vez menos de cada vez mais, até não se saber nada de tudo". William James
Em geral, é surpreendente o que a Educação Física, enquanto área de conhecimento que trabalha com esporte, jogo, dança, luta, ginástica, enfim, com expressões humanas, provoca nos seus alunos universitários. Quando os ouço, e não todos obviamente, tenho uma sensação imediata de que a nossa área, devido às suas diferentes tendências - pedagogia, treinamento, saúde - e diferentes currículos universitários mais confunde os acadêmicos do que os emancipa.
Permita-me externar um episódio que possa, minimamente, expressar o que sinto. Dia desses uma aluna abordou-me em meio a uma aula prática: professor, estou em crise. Não consigo entender mais nada. Além de ensinar para a criança tudo o que eu tenho que ensinar em Educação Física, ainda tenho que ensinar futsal? À primeira colocação dela, de estar em crise, eu disse "que bom". Quanto à segunda, perguntei o que era esse "tudo" que ela deveria ensinar. O "tudo", em sua opinião, se referia à coordenação olho-mão e olho-pé, lateralidade, esquema corporal, equilíbrio, noção espaço-temporal... Algo que Anita J. Harrow, em Taxionomia do Domínio Psicomotor (1983, pp.63-74), classificou, entre outras, como capacidades perceptivas.
Para resumir nossa conversa resumida, tentei colocar o ponto de vista de que há muito mais para se ensinar em Educação Física do que esse "tudo". Aliás, esse "tudo", penso, não é um conhecimento que se adquire exclusivamente na escola, em aulas de Educação Física. Uma criança, fora da escola, que participe de brincadeiras infantis construirá essas noções. Na verdade, chegará ao ensino fundamental com boa parte dessas noções construídas. A Educação Física poderá, quando muito, afirmá-las. Logo, a criança, sem precisar do professor de Educação Física, construirá uma diversidade de movimentos que lhe permita coordenar movimentos, equilibrar-se, usar os domínios laterais, conhecer os movimentos que seu corpo é capaz de fazer. Evidentemente, que essas habilidades e todas as outras coisas desta vida - a criança que se equilibra, a cantora de cabaré, o craque que faz o gol de falta no Maracanã, eu que escrevo esse breve texto, você que o lê... - acontecerão num determinado espaço e tempo.
Espero, sinceramente, que tenha agravado um pouco mais a sua crise. Pode ser também o contrário: ela sair da nossa breve conversa com a idéia de que eu não entendo nada de Educação Física. O que, talvez, seja verdade.
Por outro lado, penso que as idéias da minha aluna, e de grande parte dos alunos de Educação Física, pode ser fruto dessa concepção filosófica muito em voga, que isola os fenômenos, onde o que interessa é a produtividade: ser mais magro, ágil, veloz, habilidoso, olímpico... Dá-se mais importância às partes do que ao todo. Nada contra a saúde ou o treinamento, mas essa visão de homem fragmentado gera nos nossos alunos uma pobreza de idéias excepcional.
Poucos são os que conseguem enxergar na Educação Física, que é por excelência uma disciplina escolar, sua dimensão educacional. A meu ver, capacitar os alunos com habilidades tem importância porque serão ferramentas que facilitarão suas possibilidades de atuação no mundo. Logo, tudo o que se ensina em Educação Física deve se relacionar com emancipação. Independentemente do conteúdo - se ginástica, jogo, esporte ou qualquer outro - o professor deve se preocupar com uma pedagogia que atenda demandas educacionais. |
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