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| Wilton Santana |
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Versatilidade, um Novo Paradigma para Ensinar Futsal
No futsal, o técnico deve se preocupar, quando da montagem da sua equipe, em contar com um elenco de qualidade para ocupar as posições de goleiro, fixo, alas e pivô. Deve, também, ater-se a contratar atletas que possuam características duplas ou múltiplas quanto ao posicionamento e função. Em outras palavras, jogadores que ocupem qualitativamente uma e outra posição e desempenhem as funções exigidas pelas mesmas. Daí poder sinalizar para a ascensão de um novo perfil para os jogadores de futsal. Perfil este que pode estar determinando o surgimento de "novas" posições: fixo/ala, ala/fixo, ala/pivô, goleiro/linha, linha/goleiro. Essa maneira de entender e praticar o futsal deve determinar um novo paradigma para ensiná-lo: a versatilidade.
A atenção na montagem da equipe se justifica na medida em que, técnica e taticamente, a equipe se suplementa, atendendo às diversas demandas do jogo: manutenção da posse de bola, ataque seletivo, marcação equilibrada, variação de manobras, rapidez nos contra-ataques, enfim, eficiência nas ações que permitirão à equipe atacar, defender e contra-atacar.
Diante disso, pergunto: qual seria o perfil dos jogadores, aptos para desempenharem essas novas posições?
a) O fixo/ala, contrapondo a idéia do fixo de função - exímio defensor (marcação, antecipação, desarme) e finalizador de meia-distância - sugere a idéia de um jogador que tenha características de ataque - drible, finalização próxima do gol, criatividade;
b) O ala/fixo caracteriza-se por somar qualidades defensivas às características ofensivas. Uma vez atuando como fixo, durante a partida, terá a mesma eficiência;
c) O ala/pivô é o jogador que transita entre as duas posições. Nesse espaço constrói seu jogo. É tão bom na retenção de bola quanto no drible e finalização. Ora criando ofensivamente pela ala, ora no pivô, como referência, ora compondo o setor defensivo.
d) O goleiro/linha é aquele exímio defensor (defesas, saídas de gol, pegadas) e ainda capaz de fazer o jogo de quadra - recepção, passe e, em alguns casos, finalização. É uma ótima opção ofensiva, pois dá à equipe superioridade numérica e posse de bola;
e) O linha/goleiro é o jogador de linha que reúne qualidades de goleiro. Logo, atuará, em determinados momentos, como um jogador de linha no gol. Em muitos casos, na ausência de um goleiro/linha as equipes são obrigadas a utilizar um linha/goleiro.
Note que, nas posições dos jogadores de linha, não se falou no fundamento passe. Subentende-se que tal habilidade específica é pré-requisito para qualquer posição no futsal. Na ausência do passe de qualidade (precisão), pouco ou nada restará à equipe fazer.
O surgimento dessas novas posições está estreitamente relacionado com o fato do futsal ser um jogo de movimentações constantes com e sem posse de bola. Por conseqüência, os jogadores são exigidos para que atuem em diferentes posições e desempenhem funções múltiplas.
A narrativa acima exposta sinaliza para uma mudança de paradigma para os professores que ensinam crianças a jogar futsal. Contrapondo a equivocada especialização em cada posição, o novo paradigma é pautado na versatilidade. Essa versatilidade, não resta dúvidas, exigirá novas condutas pedagógicas.
A pergunta que se deve fazer é: como desenvolver a versatilidade nas crianças que aprendem futsal?
Faço algumas sugestões:
1. No ensino-aprendizagem do futsal, os professores devem evitar a especialização precoce da criança, em uma ou outra posição. Em contrapartida, deverão estimular a passagem por todas as posições;
2. Ainda na iniciação, deverão ser flexíveis quanto ao posicionamento dos jogadores (sistemas). Observem: alguns sistemas (2.2, por exemplo) limitam a exploração de espaços e criatividade. Nessa direção, é possível até criar novos e inusitados posicionamentos;
3. Desenvolver nas crianças que gostam de jogar no gol o jogo de quadra (recepção, passe e finalização);
4. Estimular que as crianças tenham vivências nas habilidades defensivas do goleiro;
5. Na aprendizagem da técnica todos devem aprender todas as habilidades específicas. Deve ser evitada a associação de algumas habilidades específicas a possível posição que o professor, precocemente, estabeleceu para a criança. Exemplo: os fixos - exímios defensores -, deverão antecipar mais vezes do que os outros jogadores;
6. Ter como objetivo capacitar o seu aluno a desempenhar com qualidade, até o final do período de iniciação, de forma gradativa, no mínimo duas posições. Lembre-se: tempo há de sobra, pois as crianças iniciam por volta dos 5, 6 anos e saem dessa fase com 12, 13, 14 anos.
Sugiro, por fim, um breve exercício: tente associar alguns jogadores que disputam a Liga Nacional, ou que você conhece, com o perfil das novas posições dos jogadores de futsal. |
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