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| Wilton Santana |
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Escolinhas de Futsal
Há algum tempo atrás era difícil imaginar o que se vê atualmente na iniciação ao futsal: escolinhas e professores. Num passado não tão longínquo, as crianças aprendiam a jogar bola na rua, nos campinhos, em praças, entre iguais, longe de professores. Certamente, desobrigadas de horários de treinos, competições oficiais e do ensino sistematizado. Evidentemente que ainda há crianças que jogam bola na rua, mas principalmente nas cidades grandes - excetuando-se a periferia - é incomum.
Na rua, o ambiente é essencialmente lúdico. Rolam brincadeiras. Sou até capaz de enumerar algumas destas brincadeiras de rua: bobinho, disputa, vingança, controle, golzinho, gol a gol, pelada. Enumerei-as, porque fui um dos que assim aprendeu a jogar bola com os pés.
Diferentemente de hoje, nas décadas de 70 e 80, eram poucas as escolinhas de futsal. Algumas crianças eram convidadas a jogar futebol de salão - assim chamado na época - nos clubes. Não se tratava de uma escola. Muitos dos que se propuseram a treinar as crianças sequer professores eram, mas sim abnegados. Devotados pelo esporte. Suponho que muitos equívocos foram cometidos nessa época, no que se refere à pedagogia do esporte, pela falta de profissionais especializados.
Penso que, por um lado, avançamos: com os professores especializados, vêm metodologias de ensino adequadas ao nível de desenvolvimento da criança. Vem o tratamento pedagógico do esporte. Logo, diminui-se a probabilidade dos equívocos metodológicos. Outro ponto: com as escolinhas de futsal os pais não têm motivos para maiores preocupações, pois as crianças no clube, na associação congênere, na escolinha de esporte da escola estão, de certa forma, seguras. Falo isso porque é inegável o clima de insegurança que paria em grande parte das cidades brasileiras.
De outro lado, tenho dúvidas em outros pontos: com as escolinhas, muitas delas pagas, muitas crianças ficam à margem. Em geral, ainda são muito tímidas as iniciativas públicas de fomentar o esporte numa perspectiva educacional. O que se vê, em grande parte, são escolas de esporte com a pretensão de diagnosticar talentos esportivos. Ainda: em alguns casos, contrapondo o esperado - tratar pedagogicamente o esporte - os especialistas freqüentemente utilizam metodologias de ensino pautadas em referenciais de rendimento - conquistas, quebra de recordes, resultados imediatos. Logo, uma pedagogia distante de preocupações educacionais.
A meu ver, desvinculada de uma finalidade educacional, a pedagogia dos professores especialistas em esporte na infância deixa muita coisa a desejar. Sem considerar esse propósito, a pedagogia não impõe diferenças significativas entre os que aprendem a jogar na escola com a orientação de um professor e os que aprendem a jogar na rua sem orientação. É correr atrás de bola do mesmo jeito.
Penso que os especialistas devem associar o esporte na infância à educação. Mas de que forma fazê-lo? Isso pode significar, entre outras coisas, elevar a consciência da criança sobre suas atitudes e a dos outros, coisas que na rua podem passar despercebidas; criar um clima cooperativo, indicativo para a conquista da autonomia; trazer para a escola de futsal coisas relevantes da rua, como os jogos, a verbalização, o clima de ludicidade e criatividade.
A escola de esporte, a exemplo da escola formal - pelo menos o que prevêem seus projetos pedagógicos-, deveria diminuir as diferenças. Sociabilizar. Socializar o conhecimento. |
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