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| Wilton Santana |
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Jogo de Transição no Futsal
No que pese a reflexão que farei sobre um possível jogo de transição no futsal, creio que há um consenso bastante razoável entre os profissionais da área de que o jogo de futsal é composto por defesa, ataque e contra-ataque.
Essas manifestações do jogo acontecem quando se está sem a posse de bola e com posse de bola. Em particular, o jogo de defesa é sem a posse de bola, mas também com posse - nesse caso, obedecendo ao raciocínio correto de atacar pensando em se defender; o jogo de ataque é com posse de bola - mas a defesa de uma equipe também começa nesse momento; e o jogo de contra-ataque inicia sem bola, mas deve-se induzir o adversário ao erro - nesse caso, adotando uma linha de marcação mais recuada e agressiva. Em geral, o contra-ataque acontece com superioridade numérica e origina-se quando (1) a equipe se aproveita de um erro do adversário - intercepta um passe, executa um desarme -, (2) a partir da defesa do seu próprio goleiro ou (3) em uma reposição rápida de bolas paradas, como os arremessos de meta. O contra-ataque que não termina com uma finalização eficaz resultará, algumas vezes, outras não, no chamado "contra-ataque do contra-ataque".
Mas, e o jogo de transição? Onde entra? Entendamos, primeiro, o conceito. Transição(1) significa a passagem de um lugar para outro. Por exemplo, no jogo de basquetebol a transição ocorre quando a equipe sai da sua defesa para o ataque. Tal manifestação fica bastante visível após a saída de bola de fundo de quadra, quando, em geral, o armador dribla (conduz a bola) até a meia-quadra ofensiva de modo a iniciar o jogo de ataque. Esse é parte do jogo de transição no basquetebol. Se a equipe roubar a bola de rebote ou interceptar um passe, e optar por uma saída veloz com projeção de jogadores no espaço e passes acontece o contra-ataque, que também é uma forma de transição.
E no futsal, onde esse conceito de transição se encaixaria? A meu ver, em quatro momentos:
1. Nas quebras de marcação (que é na realidade um tempo de ataque) - por exemplo, quando se está sob uma marcação linha 1 ou 2 e opta-se em realizar uma manobra ofensiva a fim de empurrar (afastar) o adversário para a linha 3, permanecendo com posse de bola para a partir daí iniciar o jogo de ataque;
2. Quando se está sob as mesmas linhas de marcação e opta-se em realizar manobras ofensivas que resultem em bolas de espaço e pretendidas finalizações a gol, aproveitando o espaço que se encontra entre a linha de marcação e o gol adversário;
3. A exemplo do basquetebol, após uma reposição de arremesso de meta, sob uma marcação linha 3, com os jogadores conduzindo e/ou trocando passes até a meia-quadra para iniciar o jogo de ataque;
4. Nos contra-ataques.
Observe que comum aos momentos acima enumerados está o fato de a equipe transitar da defesa para o ataque, ou seja, sair de um lugar para outro.
Desse modo, teríamos no futsal:
O jogo de defesa - composto dos tipos de marcação, linhas (variações) defensivas e os princípios defensivos pertinentes a cada tipo e linha de marcação;
O jogo de ataque - composto de posicionamentos, manobras, deslocamentos e os princípios ofensivos a cada particularidade;
O jogo de contra-ataque (que não deixa de ser uma transição) - em geral, composto de superação numérica e obedecendo a determinados princípios;
E o jogo de transição - passagens do campo defensivo para o ofensivo (e por que não do ofensivo para o defensivo, nesse caso, com o retorno da marcação?).
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(1) Novo Dicionário Aurélio Século XXI.
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