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| Wilton Santana |
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Noções de Sistemas Defensivos
Iniciarei este texto por uma frase afirmativa: quem marca tem o objetivo de impedir o êxito do adversário. Tarefa difícil, não? Entretanto, por mais paradoxal que seja - e talvez iniciar um texto desta forma não seja a maneira mais fácil de compreendê-lo -, penso que na medida que o futsal se modernizou, se dinamizou, ficou mais fácil se dedicar a difícil tarefa de marcar. Por quê? Pense nas regras: as sucessivas alterações que sofreram implicaram, entre outras coisas, num jogo cada vez mais limpo e ofensivo. Ou seja, a regra obrigou as equipes a atacarem e, concomitantemente, obrigou os jogadores a aprender a marcar bem, de forma limpa, sem imprudências. Vamos aos fatos:
a) Lembre-se de que no futsal a partir da 6a falta acumulativa as faltas (regra 12) são punidas com tiros livres diretos sem formação de barreira. Logo, a regra beneficia, além do ataque, quem joga limpo, quem defende com qualidade;
b) Lembre-se também de que não se pode, deliberadamente, dissimular um ataque, ou seja, não se pode "gastar o tempo" e entrar num jogo passivo. Se a equipe assim o fizer será punida e perderá a posse de bola. É preciso atacar. Logo, é preciso marcar.
Outro fator decisivo para a evolução da marcação foi o desenvolvimento da preparação física, mas isso foge ao objetivo deste texto. Por isso, diria que para não exceder o limite de faltas acumulativas e para resistir ao jogo de ataque, o jogo de defesa evoluiu. Pode-se dizer que hoje se marca mais, muito melhor e mais intensamente do que no passado porque assim o jogo de futsal exige.
Há um consenso razoável entre os autores de que os sistemas defensivos são constituídos pelos tipos de marcação (como se marca) e pelas linhas ou variações defensivas (onde se marca). Evidentemente que marcar não se resume a isso: há ainda uma série de exigências quando se coloca uma equipe para marcar de determinada forma em determinado local da quadra. Neste texto, preocupar-me-ei em explicar apenas os tipos e as linhas defensivas.
Para entender os tipos de marcação basta responder à pergunta como a equipe pode marcar? Ao responder que se pode marcar individual, por zona ou de forma combinada resolvemos parte do problema. A outra parte perpassa pelo entendimento do que isso significa.
Quem opta em marcar individual tem sempre como referência o outro jogador. Logo, terá de acompanhá-lo por onde este se movimentar. Pode-se marcar individualmente com troca de marcação. Em geral, esta marcação é utilizada por equipes que têm jogadores mais experientes, com mais tempo de prática. Isto porque exige trocas entre quem marca. Logo, exige comunicação. Para fazer isso os jogadores precisam verbalizar, ocupar diferentes espaços, coordenar a velocidade da bola ao mesmo tempo em que controlam o deslocamento dos adversários. Exigirá, portanto, muito treino.
Já no tipo por zona quem marca se preocupa em marcar o outro apenas quando este adentrar o seu setor. Observe que a referência continua sendo o jogador, mas não precisa mais acompanhá-lo por onde for. Basta marcá-lo no espaço previamente determinado. Este tipo de marcação é utilizado geralmente por equipes que marcam numa linha 3 ou 4 (explico-as logo abaixo), isto porque os jogadores estão mais próximos uns dos outros, o que facilita a cobertura e dificulta o ataque. Numa linha 2 exigiria, além de muito esforço físico, uma sincronização excepcional da equipe. Marcar por zona na 3 ou na 4, por conta do espaço de quadra que se cria atrás de quem ataca, facilita, também, o jogo de contra-ataque.
A marcação de forma combinada ou mista é quando a equipe destina alguém (ou mais de um jogador) para marcar individualmente e outros por zona. É pouco utilizada.
Outrossim, para entender as variações ou linhas defensivas basta responder a pergunta onde a equipe pode marcar?. Por extensão, quando se pensa em linhas deve-se associar à idéia o espaço da quadra. Ao responder que se pode marcar nas linhas 1, diz-se que se marcará 4/4 de quadra; na linha 2 marcar-se-á 3/4; na linha 3, 2/4 e na linha 4, 1/4.
Explico em geral cada uma dessas linhas. Para facilitar o entendimento coloquei uma linha pontilhada dentro das quadras. Esta será a legenda para entender a linha de marcação.
Na linha 1, aperta-se o adversário na saída de bola. Quem opta pela 1 quer jogar com a bola o mais rápido possível. Para tanto, sufoca o adversário na sua própria quadra. Em grande parte das situações não se permite sequer que o goleiro adversário reponha a bola. Por isso, é chamada, quanto à intensidade, de pressão. Na quadra abaixo, a equipe inicia a resistência (marcação) ao adversário onde a linha está posicionada. Neste exemplo, a equipe que ataca está representada pela letra A e a equipe que defende pela letra D.

Meia-Quadra Ofensiva
Na linha 2, marca-se a partir da intermediária ou menos do adversário. Quem opta pela 2 permite ao goleiro adversário repor a bola. Entretanto, se este "pisar" na bola, isto é, dominá-la, aproxima os seus jogadores simultaneamente e não o deixa mais jogar. Em outras palavras: inicia-se na 2 e a partir da reposição de bola do adversário, se este a dominar, avança-se para a 1. Equipes iniciantes permitem que o adversário ocupe o espaço sem fazer pressão. Por isso, para alguns, quanto à intensidade faz-se uma meia-pressão.

Meia-Quadra Ofensiva
Na linha 3, marca-se a partir da linha central. Quem opta por esse tipo de marcação investe na idéia do jogo de contra-ataque. O adversário não sofre pressão na sua meia-quadra defensiva, mas a sofrerá na meia-quadra de ataque. Quanto à intensidade, é pressão a partir da meia-quadra. Alguns treinadores preferem que a linha de marcação inicie um pouco à frente da meia-quadra. Eu prefiro um pouco atrás.

Meia-Quadra Defensiva
Na linha 4, marca-se próximo à marca de 10 metros. Investe-se, a exemplo da linha 3, na idéia do jogo de contra-ataque. O adversário terá muito espaço para ficar com a bola. É a linha de defesa mais recuada. Entretanto, se bem coordenada, poderá ser eficaz: primeiro porque com os marcadores próximos uns dos outros, facilita-se a cobertura e, segundo, porque próximos também à linha de fundo não há espaço para bolas de espaço. A estratégia ficará ainda melhor se a equipe dispuser de um goleiro competente contra chutes de meia-distância e a defesa atacar o adversário.

Meia-Quadra Defensiva
O objetivo dos sistemas defensivos é o de facilitar a aplicação de manobras defensivas, ou seja, definindo a linha e o tipo de marcação faltará "apenas" construir os conceitos da marcação inteligente - uma marcação que retorne, que seja ativa, que induza o contra-ataque, que faça coberturas, que realize dobras, etc.
O raciocínio mínimo para aplicar os sistemas defensivos é o de coordenar a linha defensiva com o tipo de marcação adequado. Este "casamento" é tarefa de quem orienta a equipe. Sugiro que quanto mais longe os jogadores estiverem uns dos outros, menos se invista em marcações por zona ou que exijam trocas. Com os jogadores mais próximos, é possível apostar nisso. |
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