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| Wilton Santana |
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Sobre Crenças, Ensino e Aprendizagem
Há quem acredite que o ser humano quando nasce é uma folha em branco. Essa posição, na ciência, é assumida como empirismo. Os que assim pensam, repito, acreditam que a criança, ao nascer, nada sabe. Todo o conhecimento lhe será acrescentado. Logo, aprenderá as coisas desta vida com outros, por transmissão.
Há quem acredite no contrário: a criança, ao nascer, sabe tudo. Nasce pronta. Para os inatistas, o meio apenas confirmará na criança as suas virtudes ou os seus defeitos, bondade ou maldade, talento ou limitação.
De outro lado, há os que acreditam que se nasce com algum conhecimento. Que os seres humanos, ao nascer, trazem algo inscrito nas suas cadeias genéticas. Não se sabe tudo, tampouco nada. Sabe-se algo. Para os construtivistas, o conhecimento constituir-se-á nas relações.
Confesso que me sinto órfão com a visão empirista. Assume-se uma idéia muito incipiente do ser humano. Nada sabe. Essa alvura parece-me sinalizar para coisa pior: a de que somos todos iguais e, por conseqüência, raciocinamos e agimos da mesma forma; de que aprenderemos todos do mesmo jeito; de que é possível ensinar alguma coisa para alguém sem considerar o seu interesse.
De outro lado, a visão inatista leva-me a pensar que o nosso destino está traçado. Seremos bons ou ruins porque assim nascemos. Acaba furtando-nos o direito de desenvolvimento, a autonomia, também os deveres.
Logo, a minha inclinação é por uma visão construtivista. Ou do tipo construtivista. Nascemos alguém, mas incompletos. O que nos falta está no meio: ar, alimento, carinho, conhecimento. A vida, desse ponto de vista, será um constante encontro. Um complementar-se. Nem completos, tampouco rasos. Nas relações com os objetos e com as pessoas, respeitada a nossa individualidade, que aprenderemos isso e aquilo. Nesse sentido, uma regra é básica: ao ensinar é preciso considerar o nível de desenvolvimento e as experiências (a história) de vida da criança!
Para ser breve: conforta-me saber que o meu destino não está determinado. Se assim fosse, quantos desastres estariam por acontecer? Se se quer um talento, clone-se logo um craque! Se se quer uma boa pessoa, clone-se um altruísta! Se se quer um gênio, clone-se um! Pronto, acabou a graça. Estabeleceu-se a exclusão. O poder, cada vez mais, na mão de poucos.
Agrada-me também a idéia de que não aprenderei apenas por transmissão cultural (ainda que no empirismo alguém ensine por transmissão há uma construção de conhecimento!). Imagine: e se deixarem de me ensinar o que preciso para progredir? E se me ensinarem o errado? E se não souberem o que me ensinar? E se me ensinarem a não aprender?
Sobretudo, parece-me precioso acreditar na idéia de que posso me desenvolver. Aí, permito-me sonhar. Daí é um passo para abandonar idéias, construir novos mundos, tempos, movimentos.
Todas essas coisas têm a ver com o professor e o seu trabalho com as crianças, com o ensino e a aprendizagem no esporte, por exemplo. Não fica difícil associar uma coisa à outra. Posso deduzir que a maneira como o professor pensa e se posiciona, acreditando numa ou noutra concepção, determinará seu modo de ensinar. |
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