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| Wilton Santana |
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Os Técnicos de Futsal e suas Propostas de Jogo
Os técnicos, segundo os seus jogadores, adversários, convicções, dimensões da quadra, situação no campeonato, optam em jogar dessa ou daquela forma. Mas, como se lê (identifica) a proposta de jogo de um técnico? Sugiro pensar sobre o jogo da equipe com e sem posse de bola. Inicio por este.
Uma das estratégias é identificar a linha de marcação escolhida (jogo sem posse). Dessa escolha, derivarão duas propostas de jogo: jogar no contra-ataque e jogar no ataque. No primeiro caso (jogar no contra-ataque), demandará a escolha por uma linha de marcação recuada (3 ou 4) se for a 3, marcará ativamente a partir da linha central (um pouco à frente ou atrás esta, a meu ver, a melhor opção); se for a 4, marcará próximo dos 10 metros. Ambas permitem o contra-ataque, porque atrás de quem ataca há espaço suficiente para realizá-lo. Isso acontece quando, por exemplo, um passe é interceptado, uma bola é roubada ou após uma defesa do goleiro. Pode-se acrescentar o seguinte: alguns técnicos, quando jogam em contra-ataque, além de estabelecerem uma das duas linhas, procuram induzir o adversário a errar (quem faz isso, aproveita muito mais dessa proposta de jogo). No segundo caso (jogar no ataque), exigirá uma linha de marcação mais próxima da meta adversária: in
iciando na 2 e transitando para a 1 (isso se o adversário pisar na bola) ou já a partir da 1. Por que se diz que se joga no ataque? Porque se usa a estratégia de apertar o adversário já na sua quadra defensiva (ofensiva de quem marca), o que, define a opção de impedir o avanço do adversário e, por conseqüência, a retomada da posse de bola (isso se a linha de marcação não for quebrada). Quem quer jogar no ataque, quando defende, pode, a exemplo de quem quer jogar no contra-ataque, induzir o adversário ao erro (as dobras, a indução da trajetória de ação do atacante e o encaixe da marcação são estratégias pertinentes).
A narrativa acima decreta um imperativo: sem posse de bola, jogar no ataque ou no contra-ataque invoca, inevitavelmente, um jogo de defesa de qualidade. No primeiro caso, defende-se para recuperar a bola e iniciar o ataque; no segundo, defende-se para iniciar o contra-ataque. Portanto, sem uma defesa competente e obstinada, nenhuma das propostas de jogo será sustentada. E ainda pior: quem optar em jogar no ataque e não souber recuperar a posse de bola ou retornar defensivamente, poderá sofrer a famigerada bola de espaço (nas costas), objetivo de toda boa equipe quando é pressionada. Digo isso, porque a equipe incompetente, quando pressionada, transfere a bola (ainda que, em alguns casos, isso seja uma estratégia de quem abre mão do jogo de ataque para privilegiar o de contra-ataque); a mais incompetente, a perde já no campo defensivo (entregando gols ou cedendo laterais ofensivos). Quem quer jogar no contra-ataque e não souber induzi-lo (e isso
perpassa, entre outras coisas, uma defesa agressiva, do tipo que "ataca a bola", o fechamento de linhas de passe, coberturas e dobras), poderá sofrer os perigosos chutes de meia-distância e as infiltrações do oponente, possíveis objetivos ofensivos de equipes que jogam contra adversários recuados (evidentemente que as ações de chutar e de infiltrar exigem passes acelerados, movimentações dos jogadores, enfim, atitudes que desequilibrem a defesa).
A meu ver, as equipes que mais bem jogam futsal investem em ambas as propostas: jogar no ataque, isto é, com maior tempo de posse de bola (se a bola está "comigo" e sei o que fazer com ela, melhor, não?) e jogar no contra-ataque , induzindo-o, sempre que se recua a linha de marcação. Como fazer isso? Variando as linhas defensivas. Essa variação, algumas vezes, é induzida pelo próprio jogo. Por exemplo, ainda que a intenção seja jogar no ataque (a partir da linha 1 ou da 2), a qualidade de passe e de movimentação do adversário obriga um recuo defensivo para outras áreas da quadra (isso acontece porque o adversário quebra a linha de marcação, mantendo a posse de bola e avançando no espaço). Outras vezes, é intencional, isto é, aperta-se e recua-se segundo o desejo do técnico, em consonância com o momento do jogo.
Outra atitude para ler a proposta de jogo de um técnico, é identificar, com posse de bola, como a equipe pretende jogar (jogo com posse). Daí ter-se-á de ler o jogo de ataque da equipe, ou seja, o que ela faz para permanecer com bola, de que forma se movimenta, no que investe os seus esforços, de que forma se sente confortável. Por exemplo, (a) uma vez apertada na sua saída de meta, investe em movimentações combinadas para finalizar ou para quebrar a marcação (se transferir, o jogo passa a ser sem posse de bola, e aí cabe o raciocínio anteriormente descrito sobre linhas defensivas)?, (b) quando de possa da bola e esta em jogo, é pressionada, realiza aproximações para bolas de espaço, ou procura acessar (passar a bola) o pivô (a fim de forçar o retorno da marcação) ou ainda, usa das duas estratégias?, (c) quando joga contra uma linha recuada, procura bolas de profundidade (essas que são enviadas para o fundo de quadra pelo centro ou pela ala), investe
num jogo de superação numérica e finalizações ou passe ou, ainda, investe no jogo de goleiro-linha?
Bem, agora que você sabe um pouco sobre as possíveis propostas de jogo de técnicos de futsal, assista a jogos e tente descobrir qual (is) a (s) proposta (s) de jogo dos técnicos brasileiros. |
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