"Então Jesus, movido de íntima compaixão tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o seguiram" (Mateus 20:34)
 Página Inicial
 Para Ler
 Artigos Publicados
 Editoriais
 Textos On-Line
 Sobre o Site
 Loja Virtual
 DVD
 Livros de Futsal
 Prancheta Tática
 Tatic Plus
 Cursos
 Agendados
 Ministrados
 Opções de Cursos
 Para Estudantes
 Biblioteca Futsal
 Dicas
 Disciplinas UEL
 Pós em Futsal
 Habilidades do Futsal
 História do Futsal
 Leitura Tática
 Regras de Futsal
 Scout / Linha
 Súmula Oficial
 Súmula Adaptada
 Opiniões
 Sobre o Site
 Wilton Santana
 Breve Trajetória
 Contato
 

A Difícil Tarefa de Ensinar Esporte

Wilton Carlos de Santana
Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)
Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)
 
      Tenho discutido com os meus alunos de graduação como ensinar esporte. É um dos poucos temas de interesse da maior parte. Entre outras atitudes, discutimos a de parte dos professores de educação física de ensinar esporte (na escola ou no clube) mediante as famigeradas séries de exercícios(1). Nessas conversas, entre outras, ponderamos sobre os possíveis motivos que levam os professores a ensinar por esse viés. Eu e os meus alunos achamos que isso pode estar relacionado a vários fatores, como os fatos (a) de os professores não acreditem que as brincadeiras e os jogos ensinam(2); (b) de o curso de educação física ter centrado o ensino do esporte na técnica (logo seria uma herança do que se aprendeu na Universidade); (c) de terem dificuldade (ou receio) de justificar para parte dos pais de alunos a escolha por um outro método (os que conhecem outros) isso porque boa parte das pessoas adultas, equivocadamente, associa brincadeira à algazarra, alegria à falta de seriedade e esta à perda de tempo. Por conseguinte, se as crianças brincarem na aula disso ou daquilo e os pais crerem que isso não ensina a jogar, os professores poderão ser inquiridos sobre tal procedimento e, caso não saibam argumentar, poderão, até mesmo, perder alunos; (d) de ainda que a Universidade possa ter dado conta de ensinar diferentes métodos, tratar-se de uma escolha, de uma opção metodológica.

      Penso que os fatores descritos explicam em parte a ausência, nas aulas, de jogos e brincadeiras, atividades tão queridas pelas crianças e cheias de significado (de relação com a sua realidade concreta) e a presença dos exercícios. Não quero dizer com isso que estes nada ensinam. Executá-los garantirá, sem dúvida, boa execução técnica. Minha resistência se dá por saber que criança que aprende a passar e a chutar, por exemplo, fica boa nisso e não, necessariamente, em jogar (as habilidades técnicas estão no jogo, mas jogar exige muito mais que isso); pelo fato de ser pouco interessante; pelo fato de não investir em autonomia... Então, se o futsal ou o basquete fossem uma exibição, como o balé, ou um esporte como a GR, em que não há confronto e a deficiência técnica faz o praticante, a cada erro, perder pontos, talvez fizesse sentido, desde cedo, aperfeiçoar o gesto desportivo segundo um modelo (digo isso porque penso que desde cedo, na presença ou não dos professores, as crianças aprimoram os seus gestos!). Mas como se tratam de jogos de cooperação e oposição, de confronto, centrar o ensino na repetição de movimentos (mediante os exercícios) pode fazer com que as crianças percam em inteligência, em autonomia, em motivação e em criatividade pressupostos para se jogar bem o que quer que seja.

      Outra evidência pedagógica muito pouco debatida é o pensamento redutor. Neste caso, fica-se refém da tríade regras-técnica-tática. Evidentemente que esta deve ser levada em consideração quando do ensino do esporte, mas entender disso, ainda que condição necessária, não é suficiente para ensinar bem! Muitos elementos inter-relacionam-se para se dar uma aula (concepções, princípios, objetivos, conteúdos, métodos, procedimentos, a experiência de vida e as características da criança, o contexto sócio-cultural, os critérios mínimos de avaliação). Logo, não se deve dar aula e ignorar a complexidade disso.

      Como eu não quero ficar em cima do muro, falarei de algumas coisas que sinto, penso e faço. Começo por uma regra básica: quem ensina deve respeitar o aprendiz, isto é, o que ele já sabe fazer, seu nicho, o que gosta de fazer, suas características. Esse conjunto de fatores tende a garantir uma boa pedagogia. Outro ponto: a par disso, caberá ao professor, entre outras coisas, investir nas relações da criança com o que se pretende conhecer (mais sobre percepção tática, mais sobre as habilidades, mais sobre sentimentos, mais sobre moral, mais sobre autonomia...), de modo a planejar a sua ação, permiti-la agir segundo suas possibilidades, desafiá-la, motivá-la (Piaget diria que a afetividade é o combustível da inteligência!).

      Não defenderei a idéia de que a criança deve aprender esse ou aquele conteúdo porque se encontra nessa ou naquela idade (10 crianças de 10 anos de idade são semelhantes, mas, por conta de suas histórias de vida, diferentes!), mas que se deve levar em consideração o que se sabe em geral sobre o desenvolvimento infantil. Logo, quando do ensino, é preciso considerar tanto o que se sabe sobre a criança (nos livros) como o que esses não trazem (a sua experiência de vida, o seu jeito de ser e o contexto em que está inserida). Isso tem o intuito de facilitar ao professor planejar e à criança agir, aprender o que não sabe, sentir-se segura para criar novidades.

      Por último, quando do ensino, o que é melhor: perguntar, sugerir, oferecer pistas, explicar, demonstrar, jogar junto? Depende do momento. Depende do grupo. Depende da criança. O que se pode discutir é que quanto mais se pergunta, se sugere e se dão pistas, mais se estimula a pensar e menos a copiar. Isso ratifica o compromisso político do professor com a criança, pois, ainda que ele a acompanhe, pretende que ela caminhe com as próprias pernas, que exerça sua criatividade. Isso tem a ver com respeito mútuo (o professor não idealiza a criança, mas lhe reconhece a individualidade, lhe respeita) e também com a construção de uma atitude autônoma. De outro lado, quanto mais se insiste num modelo, menos se cria. Corre-se o risco de se criar estereótipos e estes afrontam a inteligência e a autonomia de quem aprende. E isso é muito reducionista, pois a educação acaba sendo de movimentos e não de pessoas que se movimentam. Sobre jogar junto com as crianças, há quem pense que isso implica em lhe oferecer modelos de comportamento. Que bobagem! Jogar junto significa faça comigo e não faça como eu! Quem pensa assim é porque nunca teve o prazer de jogar com gente mais velha e, por isso, mais admirada. Jogar junto com quem a gente admira dá uma sensação de amor e temor (algo que tem a ver, também, com respeito). Crianças aprendem muito com os mais velhos (basta ver aquelas que jogam entre estes!), esforçando-se para acompanhá-los, empenhando-se em não cair diante de seus olhos (em não decepcioná-los), seguindo suas dicas e conselhos, também procurando copiá-los, imitando-os. Lembro-me de quando (ao lado de garotos como eu) fiz os meus únicos treinos com Zico (este, quando retornava de lesões, treinava entre os juniores!). Procurei dar o melhor de mim. Ele agiu como um mestre: apareceu para jogar, tocou a bola, orientou a todos. Um professor entre os alunos. Enfim, ensinar percorre muitos caminhos.

      Penso que o que eu escrevi neste texto pode contribuir com quem se propuser a ensinar bem os esportes coletivos na infância. Ensinar bem, como se vê, não é assim tão fácil. Exigirá do professor, além de estudo, sensibilidade, experiência, habilidade.

- - -
(1) Há, inclusive, um estudo de um ex-aluno do nosso curso de pós em futsal, Fabiano Soares Pinto, que em sua monografia ratificou o fato de os professores ensinarem futsal para crianças de 7 e 8 anos, preponderantemente, por séries de exercícios. Estes treinam a habilidade sem estabelecer uma relação direta com o jogo. A idéia é de que primeiro se deve aprender a executar as habilidades, para depois jogar. Por detrás dessa prática, está o princípio analítico-sintético de ensino dos esportes coletivos, que é esmiuçado por Dietrich et al (1984), no livro "Os grandes jogos: metodologia e prática", Editora Ao Livro Técnico.

(2) Há uma ótima dissertação de mestrado, do professor José Alcides Scaglia, intitulada "O futebol que se aprende e o futebol que se ensina", UNICAMP (2000), na qual o autor desvela, entre outras coisas, a crença de ex-profissionais de futebol (hoje professores de escolinhas) de que as brincadeiras não ensinam, ainda que na infância de cada um desses professores elas tenham sido o principal veículo de aprendizagem.
Voltar  |  Imprimir  |  Salvar  |  Comentar  |  Enviar para um Amigo
     
     
Futsal Interior    

 

Opiniões
"Gostei muito da pagina, sou profº da área e gosto de trabalhar com o futsal." (Wallas Meyk , professor de educação física em Itambé - BA)

"São pessoas como você que fazem do nosso futsal um desporto em crescimento mundial, sendo praticado por milhares de crianças e jovens, que se tornarão destaques não só como aluno-atleta e sim como cidadãos de bem. Parabéns pelo conteúdo citado e sucesso!" (Fabio Rabelo, prof. de futsal e aluno de educação física da Fac. Marista em Fortaleza - CE)

"Gostei muito do seu site, no 1º ano de faculdade me orientava, pois tinha a visão de atleta, e não de educadora, e como fui estagiar em um centro socio-educativo as informações aqui contidas me acrescentaram muito no desenvolvimento de minhas aulas, trabalho com futsal fem sub-21 e masc sub-16, obricada por disponibilizar informações tão preciosas que Deus continue a te abençoar para que possa continuar a auxiliar os professores que já atuam e os que estão começando." (Jaqueline, estudante de eduação física em Caraguatatuba - SP)

"Seu editorial sobre a expansão do Futsal feminino foi oportuno e suas impressões acerca do assunto perfeitas. Só posso concordar e parabenizá-lo quando você diz que compararações entre futsal feminino e masculino devem ser evitadas, pois as mulheres têm de ser comparadas entre si e ainda quando você fala que o esporte não é masculino ou feminino, mas são culturas que lhe imprime estes significados. Parabéns!" (Vanda Sanches Técnica da equipe feminina de Futsal da Unopar - Londrina - PR)

"Entre tantas informações sobre futsal existentes na rede atualmente a tua página é sem dúvida a mais educativa. Uma verdadeira ajuda para todos que atuam com o futsal." (Prof. Gerard Maurício Fonseca, docente da UCS - RS)

"Wilton, a maneira de convencer as pessoas sobre qualquer assunto é argumentando com conhecimento e isto você faz com maestria, mas, infelizmente, os dirigentes das federacões e da confederacão não devem acessar a sua página, e a conclusão é a manutencão desta "realidade" no futsal de competicão, massacrando e ceifando várias geracões na prática do futsal. Parabéns por divulgar informacão tão valiosa sobre o futsal." Marco Antonio Cardoso (Batata), Prof. do UNIFIEO-SP e Técnico da Sel. Brasileira de futsal universitária (2006)

"Pena que páginas como estas são raras, mas fico feliz de saber que ainda existem pessoas com equilibrio e atitude para tentar valorizar e utilizar o nosso esporte como um meio de inclusão social (...) parabenizo pela iniciativa e conteúdo tão farto e de qualidade!" (Ronan Lopes, diretor de futsal do C.R. Vasco da Gama - RJ)

"Caro Prof. Wilton Santana, poucos apresentam o Futsal numa visão humanista e ao mesmo tempo tão técnica como você. Realmente, percebemos neste site, em linguagem muito simples, a importância do Futsal como meio educacional e não somente num esporte competitivo..." (Prof. Edson Farret, prof. universitário da UNIVERSO e UNIPLI - Niterói)

"Parabéns, Wilton, trabalho com um esporte totalmente diferente do futsal, mas gosto muito dos seus artigos porque há muita coisa em comum com a ginástica rítmica. Se todos tivessem uma visão assim para se trabalhar com qualquer esporte a realidade da pedagogia do esporte em nossa país seria outra." (Priscila, professora da Aginarc - Ginástica Rítmica em Curitiba - PR)

"Fiquei impressionado quando a amplitude de materia no site e acho que sera de grande valor na minha pratica docente. Espero estar sempre mantendo contato sobre novidades, principalmente sobre sistemas de jogo e táticas..." (Anderson Santos de Souza, coordenador e docente da faculdade de Carlos Chagas - MG)

"Parabéns pelo seu site, que com certeza ajudará e será um instrumento de apoio a todos os profissionais ligados ao esporte..." (Cristiane Magnabosco, preparadora física, Verona calcio a 5. Itália)

"Esta página tornou-se a principal referência aos praticantes e estudiosos de futsal. E isso só foi alcançado devido à sua capacidade impressionante de questionar e esclarecer questões pertinentes a esse esporte." (Renato Marques, especialista em futsal e professor de Educação Física em Campinas SP)

"Caro amigo Wilton, primeiro parabenizar você pela página, excelente conteúdo!!!" (Profs. Ricardo Valente e Otavio Balzano - Comissão técnica bicampeã estadual RS Juvenil 2000/2001 - SC Internacional)

"Fiquei surpreso com a qualidade e o seu bom gosto (...) Com certeza serei um freqüentador assíduo da sua página." (Daniel Mutti, autor do livro Futsal: da iniciação ao alto nível, técnico e professor Educação Física em São Paulo SP)

"Com certeza o Wilton é o mais estudioso sobre o futsal no Brasil, que contribui com o desenvolvimento do nosso esporte. Parabéns, continue assim, para podermos crescer junto com você." (José R. de Andrade Junior, técnico Paraná Clube PR)

"Você, sua página, sua especialização, são verdadeiros achados para o Futsal. Todos os salonistas, principalmente professores, deveriam acessá-la, para que, com esses conhecimentos, revolucionassem a pedagogia dos esportes e, principalmente, a nossa modalide, o Futsal." (Marcelo Miragaya, professor das disciplinas Futsal I e II da Uniabeu - RJ)

"Estou realmente impressionado com a qualidade do seu site. Será de grande qualidade em minha prática docente tanto universitária quanto no ensino fundamental e médio." (Osmar Moreira de Souza Jr, professor de educação física em Rio Claro - SP)

"Fico feliz em saber que existem pessoas como vc procurando dar tratamento de excelência ao nosso esporte, possibilitando a todos aqueles que utilizam o nosso futsal como instrumento de transformação e de inclusão um espaço para reflexão quanto aos diferentes pensamentos pedagógicos,oportunizando acesso as informações e com isso contribuindo para o engrandecimento do nosso esporte." (Ricardo Lucena, técnico do C.R.Vasco da Gama - RJ)

"Parabéns Wilton, o nosso esporte necessita de espaços como este para que cada vez mais nós profissionais do futsal tenhamos subsídios para reflexões do nosso trabalho diário, principalmente em se tratando das categorias menores." (Vinícius França, técnico e preparador físico do Paraná Clube Futsal)

"Parabéns por mais este sucesso em sua carreira, esta excelente página com qualidade visual e conteúdo. São marcos como este que enriquecem o nosso esporte. Continue neste caminho, e que Deus lhe dê saude, pois o restante voce tem de sobra! Abraços! Parabéns! Sucesso!" (João Carlos Romano, preparador físico da ULBRA - RS)

"Parabéns pelo site. Sucesso, pois além da parte pedagógica, o professor Wilton Santana é um profissional jovem e capacitado. Todos nós que fazemos o futsal no Brasil estamos com mais este importante informativo no nosso esporte." (Gláucio Castro, técnico da Seleção Brasileira de Futsal de Novos)

"Excelente o conteúdo dos textos, a página ficou ótima. Os textos contém temas interessantes para os profissionais da área. É muito importante essa iniciativa, e vindo de um professor e técnico de extrema capacidade como você só poderia resultar em um site de qualidade. Parabéns!" (Vanda Sanches, supervisora da Seleção Brasileira de Futsal)

"Wilton, volta e meia leio algum texto seu. Você escreve bem e seus textos têm muita qualidade. Parabéns mais uma vez." (João Batista Freire, livre docente em Educação Física na UDESC - SC)

"Prof. Wilton, Mesmo sendo tão repetitiva: Parabéns! O Site é muito bom, com assuntos interessantes e textos coerentes e de fácil leitura. São pessoas como você que fazem crescer cada vez mais o nosso Esporte!" (Flávia Borba, Divisão de Comunicação da CBFS - CE)

"É com satisfação que vejo um ex-craque e atual professor, contribuindo de modo incisivo para o melhoramento da didática esportiva. O seu livro (em segunda edição) vem enriquecer a literatura brasileira no setor esportivo. Merece, portanto ser analisado e, ao mesmo tempo, absorvido por aqueles que têm a responsabilidade de lidar com a iniciação da criança no esporte." (Wildo Celestino, jornalista em Fortaleza - CE)

 
  Pedagogia do Futsal
  Wilton Carlos de Santana

2003-08 ® Todos os direitos reservados ao seu respectivo autor.
Copyright © 2008 Pedagogia do Futsal com Wilton Carlos de Santana

Atualização e Manutenção Agência Digital ICOMP