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| Wilton Santana |
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Arbitragem educativa
Faz algum tempo que escrevi sobre isso. Na oportunidade alertei para o fato de que os árbitros que apitam jogos de crianças deveriam se “despir” da rigidez costumeira e mostrar uma face mais educativa. O tema, para minha surpresa, interessou para muita gente; em geral acadêmicos de educação física que se iniciam na difícil tarefa de arbitrar. Por isso o abordarei novamente.
Desta vez o texto é para elogiar um jovem e já consagrado árbitro de futsal, pertencente ao quadro da CBFS e que apita, inclusive, a atual Liga Nacional: Flávio Marques, o “Flavinho”. Vi-o recentemente atuando num jogo da categoria Sub-13, referente ao Campeonato Metropolitano da 2ª divisão (Chave Bronze), em Londrina. Nessa divisão atuam jogadores menos experientes; a “baba” como, equivocadamente, alguns gostam de afirmar. Os que dizem isso têm um olhar distorcido acerca do que seja esporte, pois não lhe reconhecem a dimensão educacional.
O Flavinho apitou sozinho e conseguiu traduzir em atitudes tudo aquilo que penso sobre arbitragem educativa: bem-humorado, seguro, paciente, conversou com as crianças, as abraçou, as orientou quando dos erros de regras, mas também e, sobretudo, sobre questões disciplinares. Não alterou a voz uma única vez. Não houve nenhuma perda da autoridade, ratificando a idéia correta de que o que legitima aquela é a competência do sujeito e não o seu cargo. Não houve tampouco paternalismo.
Sabe o que aconteceu? Todos os que estavam no ginásio, crianças, pais e técnicos, tranqüilizaram-se e curtiram o jogo. Devia ter gravado para mostrar aos meus alunos.
Pergunto-me o que impediria os outros árbitros de fazerem o mesmo? Talvez a inexperiência. Talvez a falta de humildade. Talvez a insegurança. Talvez a incompetência. Não sei. O que sei é que o Flavinho está preparado para a Liga Nacional (que demanda grande responsabilidade) e para as crianças (que demanda grande responsabilidade). Isso é o que importa. Precisamos de bons exemplos. Nada melhor que um árbitro experiente e talentoso. Os outros árbitros deveriam se espelhar na atitude do Flavinho. É sinal de que é possível, na iniciação, agir em benefício dos protagonistas. |
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