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| Wilton Santana |
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A equipe que desarma mais vence o jogo?
A pergunta deste texto foi o problema de uma pesquisa realizada por um aluno que orientei recentemente − o Arnaldo César Macedo, ex-jogador de futebol do Palmeiras (SP), isso na década de 90. A nossa curiosidade foi averiguar a relação entre o número de desarmes e o resultado final da partida em jogos de futsal de alto rendimento. Antes de detalhar como fizemos isso e os resultados aos quais chegamos, esclareço que, nessa pesquisa, tratamos o desarme como a ação técnico-tática de se retirar do adversário a bola, ficando o marcador com ou sem a posse desta última. Portanto, para haver desarme o atacante precisava portar a bola. Não contamos como desarme as antecipações e as interceptações de passe!
Escolhemos como cenário o V Campeonato Mundial, realizado na China, em 2004, em que houve a participação de 16 seleções dos cinco continentes. Primeiro gravamos em fitas VHS 10 jogos1 transmitidos pela televisão. Depois os observamos. Os jogos foram disputados numa quadra com dimensões de 40x20m. Para catalogar os desarmes elaboramos um formulário e fizemos a seguinte classificação:
- Desarme com posse de bola na meia-quadra ofensiva: nesse caso, houve o desarme e a recuperação da bola, isto é, quem desarmou ficou com a bola;
- Desarme com posse de bola na meia-quadra defensiva: nesse caso, a única diferença é quanto ao local da quadra.
- Desarme sem posse de bola na meia-quadra ofensiva: nesse caso, houve o desarme, mas o marcador não ficou com a bola (apenas a tirou do domínio do atacante, chutando-a para fora da quadra ou afastando-a deste);
- Desarme sem posse de bola na meia-quadra defensiva: nesse caso, a única diferença é quanto ao local da quadra.
Apresentamos na tabela, nas primeiras linhas, respectivamente, o total de jogos observados e o placar final dos mesmos. Na seqüência, aparece a incidência dos tipos de desarmes observados em cada jogo do time vencedor e do time perdedor. Por exemplo, no jogo 7, o placar foi 12x0, o vencedor desarmou 44 vezes (8 com posse de bola na meia-quadra ofensiva, 5 sem posse na meia-quadra defensiva, 19 com posse de bola na meia-quadra defensiva e 12 sem posse de bola na meia-quadra defensiva) e o perdedor desarmou 29 vezes (1 com posse de bola na meia-quadra ofensiva, 2 sem posse de bola na meia-quadra ofensiva, 17 com posse de bola na meia-quadra defensiva e 9 sem posse de bola na meia-quadra defensiva).
Tabela 1 [clique para abrir ampliada]
Placar e incidência de desarmes na Copa do Mundo de Futsal 2004.

A próxima tabela mostra a incidência total dos tipos de desarme e a comparação percentual entre as equipes vencedoras e perdedoras.
Tabela 2 [clique para abrir ampliada]
Comparação (%) de desarmes entre equipes vencedoras e perdedoras.

Nota-se que as equipes vencedoras, independentemente do local da quadra, se no campo do adversário ou no seu próprio campo, desarmaram mais do que as perdedoras. Também é possível constatar uma freqüência maior de desarmes com posse de bola e menor de desarmes sem posse de bola, tanto na meia-quadra de ataque quanto na de defesa. Isso representa uma decorrência ofensiva promissora, pois recuperar a bola permite à equipe iniciar um ataque ou um contra-ataque.
Em respondendo à pergunta que originou o texto constatamos uma harmonia: quem desarma mais vence o jogo ou ainda de que os times vencedores apresentam em geral um número maior de desarmes do que o de times perdedores. Evidentemente que não queremos afirmar que basta desarmar para vencer o jogo, mas que essa ação técnico-tática contribui para isso. Sobretudo, ressaltamos que o encontrado ratifica a idéia de que os técnicos, quando do planejamento de treinos, devem designar sessões para o desarme. |
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