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| Wilton Santana |
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Aprender o que não se sabe
Costumo dizer que as aulas devem contemplar conteúdos que a criança ainda não sabe, pois só se pode aprender o que não se sabe. Para tanto, sugiro que o professor se pergunte: “O que os meus alunos conhecem que lhes possibilitaria aprender novidades?”, “O que os meus alunos não conhecem e precisam aprender para que possam chegar a novos conhecimentos?”. Partimos dos pressupostos de que o que já se sabe representa um conhecimento que serve de meio para aprender o que ainda não se sabe e o que ainda não se sabe, que será aprendido, servirá de ponte para aprender outras coisas. Por exemplo, se o aluno já sabe passar a bola, mas não sabe passá-la sob pressão do adversário, o que o professor deveria criar para que o aluno aprendesse o que ainda não sabe? Uma vez aprendido a passar a bola sob pressão do adversário, para que isso serviria?
Em planejando o aprendizado de novos conhecimentos para as crianças, a partir das suas experiências, das suas possibilidades, os professores cumprem boa parte do seu dever pedagógico, que consisti em ensinar o aluno a superar-se, a transpor limites. Portanto, o processo ensino-aprendizagem não deve ser reprodutivo, mas produtivo. Isso tem a ver com movimentos, inteligência e atitudes.
Qual cenário o professor criará para mediar o aprendizado de novidades? Eu sugiro criar um contexto de trocas. O jogo permite isso. O jogo ensinará a jogar, que exige aprender a se relacionar simultaneamente com a bola, os colegas, os adversários, sob regras comuns, compartilhando o mesmo espaço, sob o signo da imprevisibilidade, com os objetivos de fazer e de evitar gols.
“Qual cenário o professor criará para mediar o aprendizado de novidades? Eu sugiro criar um contexto de trocas. O jogo permite isso”.
Sugiro que o professor adote durante os jogos certos procedimentos que eduquem a inteligência, os movimentos e a moralidade dos alunos. Por exemplo: se o professor avalia que os alunos sabem receber e passar a bola, mas ainda não sabem jogar passando a bola entre si, terá de criar um jogo que exija essa atitude. Logo, para vencer o desafio (problema) do jogo os alunos terão de pensar e agir para que isso aconteça. Durante o jogo, o professor poderá solicitar intervalos para que os alunos conversem entre si e com o professor acerca do que fazem a fim de que compreendam suas práticas (tomada de consciência). O professor poderia parar o jogo e perguntar: “O que poderíamos fazer para receber a bola?”; “Quando estivermos com a bola, o que deveríamos fazer para passá-la sem que o adversário a pegasse?”; “Para onde deveríamos olhar?”; “Qual a relação entre o jogador que tem a bola e o que quer recebê-la?”.
O “segredo” é este: o professor, primeiro (e sempre), avalia o aluno; depois (e sempre), investe na atitude do aluno; depois (e sempre), provoca a compreensão deste último sobre aquela. Recapitulando: avaliar, propor um desafio (oferecer uma resistência), provocar a tomada de consciência. Isso, porque sensibiliza o aluno, porque desperte o seu interesse, porque provoca o seu desenvolvimento, consiste numa aula educativa (que contribui para a educação). Isso tem a ver com movimentos, inteligência e atitudes.
O conhecimento de jogar coletivamente (o exemplo dado anteriormente), que exige cooperar (atuar junto), que exige pensar e agir dessa ou daquela forma não está no professor, nem no aluno, mas no desafio proposto pelo professor e enfrentado pelos alunos, somado àquilo que isso desencadeia: os esforços dos alunos, as reflexões dos alunos entre si e com o professor acerca das suas práticas. O conhecimento, portanto, resulta de um processo de interação.
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