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Níveis de desenvolvimento do jogador de futsal

Wilton Carlos de Santana
Docente do Curso de Esporte da UEL (PR)
Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP)
 
        O nível de desenvolvimento do jogador de futsal representa o estágio em que este se encontra. Comumente, adota-se a disposição da faixa etária para designar isso. Por exemplo, no Brasil, quem tem 13 anos pertence à categoria mirim (Sub-13). Mas o que significa ser mirim? Como se vê isso pouco releva sobre a individualidade do esportista. Por isso, considero pertinente adotar uma classificação para os diferentes níveis de desenvolvimento do jogador de futsal que amplie a compreensão da condição do praticante. Para tanto, os distintos estágios precisam ser manifestados para além da categoria em que aqueles se encontram.

        Isso posto, independentemente da idade, mas sim da história de vida, adotarei seis níveis de desenvolvimento de jogadores de futsal. Mas atenção a dois pontos: (1º) os praticantes não passarão, obrigatoriamente, por cada um desses estágios, pois as suas características aliadas às condições ambientais não permitirão isso; (2º) não há juízo de valor (bom, ruim) em se pertencer a um determinado estágio e não se atingir o seguinte.

“Em pedagogia do esporte é inteligente considerar a individualidade dos personagens, pois esta sempre afetará a aprendizagem e o ensino”.

       Quadro 01 – Níveis de desenvolvimento em futsal

Iniciante
Iniciado
Experiente
Peladeiro
Profissional
Especialista

       Iniciante é quem dá os primeiros passos. Submete-se às experiências iniciais. Aprende os traços característicos do futsal. Isso pode ser aprendido no ensino fundamental, desde que se aborde esse esporte.

       Iniciado é quem já passou por isso; quem afirmou essas noções ao ponto de competir em festivais, torneios escolares e municipais.

       A maioria das pessoas pode vivenciar os dois primeiros estágios. São os mais acessíveis. Pode-se alcançá-los se inscrevendo em escolinhas, participando de projetos de extensão comunitários etc.

       O próximo nível, experiente, não é para todos, pois demanda ter competido muitas vezes e no âmbito federado, que é o mais exigente. Os jogadores experientes estão locados nas equipes de treinamento, detêm mais conhecimento, jogam futsal com desenvoltura e respeitam princípios de ataque e de defesa, pois são submetidos a treinamento sistemático.

       Peladeiro
em geral é aquele que não foi orientado por bons técnicos, não treinou de forma sistemática e, por isso, não respeita princípios táticos do jogo. Não há demérito em pertencer a esse estágio, que tipifica a maioria da população que joga futsal no Brasil. Os bons peladeiros são, inclusive, “bons de bola”, isto é, têm intimidade com a bola, mas não sabem competir futsal fora desse âmbito. O peladeiro, em função da falta de conhecimento, jamais jogará como um experiente.

       Profissional
é quem tem o futsal como profissão. Atinge esse nível quem competiu em nível federado e firmou-se, isto é, foi testado e aprovado. Regra geral, os profissionais têm um passado de campeonatos estaduais e nacionais de categorias de base, foram orientados por bons técnicos e passaram por situações que exigiram competência, comprometimento e responsabilidade. Esses jogadores jogam os campeonatos da categoria principal no âmbito nacional e até mesmo internacional.

       Especialista
é o jogador profissional perito; o craque. Poucos chegarão a esse nível. Trata-se do expert. É quem eleva o esporte ao estágio superior, relacionado tanto à beleza, à estética, como à capacidade de produzir os efeitos desejados, isto é, à eficácia. É quem nos lembra que o futsal pode chegar à tamanha magnitude.

       Em função de esses níveis estarem associados à história de vida, podemos encontrar adolescente iniciante, iniciado, experiente, peladeiro e até mesmo profissional; criança iniciada e adolescente iniciante; adolescente experiente e adulto peladeiro; adulto peladeiro, profissional e especialista.

       Logo, ter 13 anos e estar na categoria mirim pode significar ser iniciante, iniciado e, inclusive, experiente.  Ora, não há um tipo de jogador mirim! Nas minhas aulas da universidade, por exemplo, entre os alunos de Esporte e de Educação Física, encontro jovens (de 20 e poucos anos) que, pela primeira vez, contatam com o futsal e, por isso, têm pouca intimidade com a bola, o espaço, os colegas, os adversários e as regras. São, portanto, iniciantes. Na mesma turma há os peladeiros (a maior parte) e, em menor escala, os experientes.

       Para fixar, que tal o exercício de associar personagens que você conhece aos níveis de desenvolvimento relacionados neste texto? Agora, considerando que a disposição enunciada acentua uma máxima em pedagogia do esporte, de que é inteligente considerar a individualidade dos personagens, pois esta sempre afetará a aprendizagem e o ensino, responda: qual a repercussão para o ensino, por exemplo, de se ter numa mesma turma iniciantes e iniciados? Seria possível manter iniciantes e experientes juntos? O experiente em futebol de, por exemplo, 16 anos, estaria em que estágio de desenvolvimento comparado a um experiente de futsal da mesma idade? É possível ter uma equipe formada apenas de especialistas? O peladeiro pode aprender o suficiente para tornar-se experiente? É possível ser profissional sem ser experiente? É possível manter-se iniciado por toda a vida sem parar de jogar futsal? O peladeiro já foi um iniciado? Todos os iniciados saltarão para o estágio experiente? Como você avaliaria o estágio de um ex-profissional ou especialista que se apresenta na seleção de futsal de veteranos do seu Estado? É possível um peladeiro jogar nessa mesma seleção?
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Opiniões
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